Produtor Henrique Lamim recebeu representantes do evento em Virgínia (MG)
A Serra da Mantiqueira foi o cenário da visita de uma comitiva da ExpoQueijo Brasil, nesta semana, à fazenda do produtor Henrique Lamim, em Virgínia, no Sul de Minas. Foi ali que nasceu o Maranata Ouro, queijo que conquistou o Super Ouro da ExpoQueijo 2026, principal troféu da competição realizada em junho, em Araxá.
A propriedade mantém 33 vacas da raça Jersey, sendo 22 em lactação, e produz cerca de 500 litros de leite por dia. O cuidado começa antes mesmo da ordenha, com acompanhamento das condições dos animais e controle da alimentação. Para Henrique, a qualidade do queijo começa justamente na produção do leite. “100% é leite. Eu não gosto de tirar o mérito de fazer o queijo, mas, quando chega um leite bom lá, fica um serviço fácil para o queijeiro. Então, o que a gente mais gasta energia é na produção do leite. A Serra ajuda, o clima é bom, a água é boa, mas, produzindo um leite de qualidade, a gente consegue transformar em um queijo excelente lá na queijaria”, diz.
O processo de produção mantém uma tradição que atravessa gerações, mas é acompanhado por controles rigorosos. A propriedade produz cerca de 520 peças por semana: aproximadamente 500 do Maranata Jovem e 20 do Maranata Ouro.
Do Sul de Minas para o mundo

Foi o Maranata Ouro que colocou a fazenda no topo da ExpoQueijo 2026. O queijo venceu a categoria de leite cru, casca lisa e/ou lavada, com ou sem aquecimento, acima de 180 dias de maturação, superando concorrentes de tradição internacional, entre eles produtores italianos de queijos de longa maturação.
A conquista teve impacto direto na propriedade e também ampliou a visibilidade do produto. Henrique afirma que o troféu trouxe uma responsabilidade adicional: manter o padrão que levou o queijo ao reconhecimento internacional e representar a produção da Serra da Mantiqueira. “Esse prêmio traz uma responsabilidade de a gente manter essa qualidade que levou a gente a ganhar o Super Ouro, de representar todos os produtores da região da Mantiqueira e do Brasil, porque é um prêmio internacional. Para a gente, é uma visibilidade gigante. Hoje o queijo Maranata está sendo falado e conhecido no Brasil inteiro”, conta.
Segundo o produtor, a premiação também ajuda a mudar a percepção sobre o queijo dentro da própria atividade rural. “O queijo por muito tempo ficou escondido, era o subproduto. Hoje é uma iguaria desejada, uma iguaria que tem sua qualidade comprovada em um concurso internacional.”
Para Maricell Hussein, organizadora da ExpoQueijo Brasil, visitar a propriedade do campeão é também uma forma de aproximar o evento da origem de cada queijo que chega à competição. “Quando a gente vê de perto uma propriedade como esta, entende que o Super Ouro começa muito antes da competição. Existe um trabalho diário com o animal, com o leite, com a produção e com a maturação. Conhecer essa história e estar aqui com o produtor é uma maneira de valorizar quem faz o queijo e mostrar de onde vem um produto que conquistou reconhecimento internacional.”

Maricell também destacou o papel da premiação na projeção da Mantiqueira no cenário nacional e internacional. “O Super Ouro do Maranata representa a força de uma região que tem tradição, conhecimento e produtores comprometidos com a qualidade. A ExpoQueijo coloca esses queijos lado a lado com grandes referências internacionais, e quando um queijo da Mantiqueira vence, toda a região ganha visibilidade.”