Debates abordam inovação, mercado, pesquisa científica e perspectivas para o fortalecimento da produção artesanal

O último dia do Fórum Internacional da ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards reuniu especialistas, pesquisadores, produtores, técnicos e representantes de instituições ligadas à cadeia produtiva do queijo artesanal. O encontro aconteceu na manhã deste sábado (27), no Salão Ouro Preto, e integrou a agenda técnica do evento, abordando temas como inovação, mercado, pesquisa científica e valorização da produção artesanal.

Durante o fórum, o mediador e professor titular no Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Luís Roberto Batista, destacou a importância de aproximar a pesquisa científica da rotina dos produtores e dos técnicos que atuam diretamente no campo. Segundo ele, o encontro permite que o conhecimento gerado na universidade chegue aos produtores de forma prática, contribuindo para o aprimoramento dos queijos artesanais.

“É importante porque fecha toda uma cadeia: produtores, extensionistas e pesquisadores trabalhando com um único objetivo, que é melhorar a qualidade do queijo artesanal”, afirma.

Luís Roberto também apresentou pesquisas relacionadas ao banco de queijos que está sendo estruturado na UFLA, com apoio da ExpoQueijo e do Instituto Bonare. O projeto já conta com 150 amostras coletadas, que serão preservadas a 80 graus negativos para manter, por décadas, os registros das características dos queijos produzidos atualmente. A iniciativa busca proteger a identidade dos produtos artesanais diante de desafios como as mudanças climáticas, que podem interferir no perfil dos microrganismos e nas características dos queijos.

A professora da Universidade do Estado de Santa Catarina, Elisandra Arrigo, que também participa da ExpoQueijo Brasil 2026 como jurada, acompanhou o fórum e destacou a relevância das discussões. Ela ressaltou a importância da ExpoQueijo para fortalecer a identidade dos queijos artesanais, unindo tradição, características sensoriais e conhecimento técnico em torno da valorização dos produtos.

“Achei maravilhoso, com muitas informações e ideias bastante inovadoras. Essa preocupação é importante para que o produtor tenha uma história para contar, não somente a história familiar ou da produção, mas também em termos técnicos, sobre o que ele tem de diferente no produto dele”, avalia.